Eu me lembro na adolescência ficar encantada com esses poemas melosos e profundos... Lia e relia eté me fazer decorar cada pedacinho. E foi assim com Vinícius, Carlos Drummond, Cecília Meireles, Castro Alves e vários poetas brasileiros e portugueses que no colegial fizeram parte da matéria que eu mais gostava... Literatura!
Romantismo incontrolável... imaginação fértil, príncipes encantados e muita doação... junte tudo e imagine o quando foi linda e sofrida esta minha adolescência! Chororô, desilusão e paixonites depois... ainda conto poemas, ensino poesia e histórias de amor pra minha filha.
Pois é, a gente não aprende!
Quando li "Apelo" pela primeira vez me apaixonei pela declaração. Ainda não sabia que era uma música, feita pra ser cantada... mas eu preferia ficar passando ela na minha mente em silêncio enquanto esperava o ônibus, andando e até mesmo na sala de aula...só mesmo a professora de literatura toda empolgada é que tinha paciência pra me escutar falar de poesia!
APELO
Ah, meu amor não vais embora
Vê a vida como chora, vê que triste esta canção
Não, eu te peço não te ausentes
Pois a dor que agora sentes só se esquece no perdão
Ah, minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa a tristeza que causei
Eu te suplico não destruas tantas coisas que são tuas
Por um mal que eu já paguei
Ah, minha amada se soubesses
Da tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses num momento todo arrependimento
Como tudo entristeceu
Se tu soubesses como é triste
Perceber que tu partistes
Sem sequer dizer adeus
Ah, meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus!
Baden Powell e Vinícius de Moraes
Eu adorava e adoro este poema... me cativa sua rima perfeita que mais parece canção!
Adoro rimar... ensino minha filha de oito anos e faço ela brincar com qualquer assunto...claro que li este poema pra ela e é claro que ela entendeu apenas metade das palavras!
AS DUAS FLORES
São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
Castro Alves
Os poemas que contam histórias de insetos e bichinhos são meus favoritos... adoro! Meio infantil, leio e imagino as cenas, as vezes até muito tristes... faz parte!
MÁQUINA BREVE
O pequeno vaga-lume
com sua verde lanterna,
que passava pela sombra
inquietando a flor e a treva
_ meteoro da noite, humilde,
dos horizontes da relva;
o pequeno vaga-lume,
queimada a sua lanterna,
jaz carbonizado e triste
e qualquer brisa o carrega:
mortalha de exíguas franjas
que foi seu corpo de festa.
Parecia uma esmeralda
e é um ponto negro na pedra.
Foi luz alada, pequena
estrela em rápida seta.
Quebrou-se a máquina breve
na precipitada queda.
E o maior sábio do mundo
sabe que não a conserta.
Cecília Meireles
Tenho alguns muitos poemas e histórinhas minhas, e pretendo publicar um dia, no momento estou fazendo para crianças, estão só no papel, alguns já amarelos.
CamomilaRosa